A pressão alta e os princípios defensivos do Brighton de Hürzeler

 


O 'projeto Brighton' continua. Depois da era Graham Potter e De Zerbi, Hürzeler surge como símbolo da estabilidade e coerência do clube inglês. Mais do que conceber uma ideia, o treinador alemão conseguiu convencer uma equipa inteira a executá-la, e sufocar o adversário em meio-campo ofensivo sucessivamente, durante 90 minutos, tornou-se natural. A pressão alta dos ‘seagulls’ tem fascinado os mais atentos, e a última exibição contra o Arsenal não passou despercebida. Para além dos três golos marcados no Amex Stadium, a equipa da casa consumou o feito de descaracterizar os londrinos, anulando o seu ataque posicional, bem como as frustradas tentativas de jogo longo.

Para aniquilar o adversário, o Brighton assume riscos elevados, confiando no timing coletivo, agressividade e superioridade nos duelos individuais para exercer uma pressão HxH por todo o campo. Os centrais são imbuídos de coragem para perseguir os opositores diretos, avançando até zonas muito altas (por vezes, primeiro terço do adversário) para impedir desequilíbrios provocados pela mobilidade dos avançados adversários. Vušković e Struijk evidenciam-se ainda nos momentos em que os laterais são ultrapassados e necessitam de executar diagonais longas para obstruir a progressão do adversário. Quando a equipa contrária escolhe um dos flancos, a turma de Hürzeler torna-se acutilante ao reunir vários jogadores em torno da bola, sendo que o extremo do lado contrário costuma fechar o terceiro médio adversário, o que reduz a probabilidade de ligações de corredor lateral para corredor central. A reação à perda é imediata, o que cria dificuldades para encontrar linhas de passe seguras para progressão (obrigam a tomada de decisão rápida/execução atabalhoada). A capacidade para forçar erros em zonas adiantadas beneficia transições ofensivas bem-sucedidas, com nomes como Ayari, Groß e Kostoulas (PL móvel) em evidência.


Pressão no pontapé de baliza adversário


Pressão na 1.ª fase de construção adversária (parte 1)


Pressão na 1.ª fase de construção adversária (parte 2)


Pressão após perda de bola



Pressão após passe atrasado adversário (parte 1)



Pressão após passe atrasado adversário (parte 2)

Mesmo em bloco médio-baixo, o Brighton elege repetidamente as perseguições individuais como método para proteger a sua baliza. No embate com o Arsenal, De Cuyper e Diego Gómez encontravam-se sistematicamente mais baixos do que os médios, devido ao posicionamento nos quadrados de Timber e Calafiori. Os movimentos de rutura também são alvo de atenção individual, comportamento que conduz a distanciamentos e à acumulação de muitos elementos na linha defensiva (proteção da largura do terreno e impedimento do sucesso dos extremos adversários em situações de 1x1). A priorização do homem como referência primária, em detrimento do espaço, pode assim convidar o adversário a momentos de condução em corredor central, devido ao afastamento das coberturas defensivas. Apesar da imponência física para percorrer largos metros, podem também desequilibrar-se quando o adversário varia o corredor da bola.


Comportamentos em bloco médio-baixo

Vulnerabilidade das marcações individuais (parte 1)


Vulnerabilidade das marcações individuais (parte 2)

O estilo personalizado do Brighton culminou na conquista de três prémios da Premier League relativos ao mês de setembro, com Fabian Hürzeler distinguido como treinador do mês e Pascal Groß como melhor jogador. Lewis Dunk conquistou ainda o prémio de golo do mês.

“We cannot compete with the elite teams financially. But what you can do is compete with ideas, good recruitment, good development with continuity and a style of play. That’s what we stand for.” – Fabian Hürzeler


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