O sucessor lógico: O primeiro retrato do Sporting de João Pereira

 


Uma nova era iniciou no Sporting CP, com a estreia de João Pereira ao leme da formação leonina, após a saída de Ruben Amorim para Manchester. Pese embora a herança pesada, os constrangimentos associados à impossibilidade de coordenar a equipa como treinador principal e a modéstia do adversário, o resultado não poderia ter sido melhor (6-0).

O destino ditou que o primeiro jogo de João Pereira seria na única competição que Amorim não conseguiu conquistar nos quatro anos e meio que esteve em Alvalade. A escolha de Frederico Varandas pelo treinador de 40 anos deveu-se à procura por um cenário de continuidade, ao invés de uma revolução que alterasse significativamente o que tinha sido construído e cimentado nos últimos anos.

João Pereira colocou a equipa a jogar no habitual 3-4-3, com uma mescla de titulares e de jogadores com menor tempo de utilização até então. Esgaio assumiu a ala direita e Fresneda ofereceu a largura no lado oposto, ainda que tenha demonstrado algumas limitações a jogar de pé trocado – tendência para receber e parar a jogada, com dificuldades para acelerar pelo flanco. Em momento de construção, o Sporting CP estabeleceu-se em 3+1, formando um losango com os três centrais e o médio mais recuado (Hjulmand na primeira parte, Morita e Arreiol depois do intervalo). O segundo médio (Bragança) apareceu constantemente entrelinhas, juntamente com os dois avançados interiores, Edwards e Trincão. O 5-3-2 em organização defensiva do Amarante FC abriu espaço para os centrais exteriores conduzirem sem oposição e facilitou as receções de Edwards e Trincão por fora dos três médios.

O extremo inglês marcou a diferença no primeiro golo (de pé direito) e Bragança foi figura de destaque, nomeadamente no 2-0 e no 4-0, contribuindo com duas assistências após movimentos de rutura sobre a linha defensiva adversária. Harder, para além da capacidade de execução no remate (3-0), participou de costas para a baliza (5-0) e Trincão fez uma exibição meritória do prémio de melhor em campo, diferenciando-se pela capacidade de combinação, condução e drible curto em espaços reduzidos.

Gyökeres entrou aos 66 minutos, viu dois livres serem negados pelo poste, mas ainda foi a tempo de somar mais um tento à sua conta pessoal (33 golos em 25 jogos esta época). João Pereira aproveitou ainda a oportunidade para estrear os dois “bês” convocados, João Simões e Henrique Arreiol.

O primeiro teste de grande exigência para o treinador leonino chega na terça-feira, com a receção ao Arsenal. A curiosidade cresce para descortinar as nuances que João Pereira quererá implementar num modelo de jogo que, para já, exibe claras parecenças com o de Amorim.

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