Unai Emery e o presente envenenado a Maresca: A tarde mágica de Ollie Watkins

 


Neste final de tarde após a época natalícia, o Chelsea almejava vencer para continuar na perseguição cerrada ao top 4, após as vitórias de Arsenal, Manchester City e Liverpool, enquanto o Aston Villa procurava dar seguimento à sua série impressionante de dez triunfos consecutivos, numa campanha brilhante, até então, da equipa orientada por Unai Emery.

Não obstante as expectativas criadas para este embate, a primeira parte trouxe um Villa pouco ambicioso, estacionado no seu 4-4-2, em bloco médio, preocupado em fechar espaços, proteger a largura dada pelo Chelsea, e ameaçar em transição. Apesar das intenções, os “blues” iam somando aproximações perigosas e a capacidade dos dois avançados, Malen e Rogers (movimentos de dentro para fora), para dar continuidade aos ataques da equipa de Birmingham era praticamente nula. McGinn aparecia por dentro para tentar criar superioridade no meio-campo contra os três médios do Chelsea (Caicedo no controlo).

Do lado da formação londrina, Maresca colocou Reece James e Cucurella por dentro, de forma a fixarem Buendia e McGinn, e oferecerem vantagem, em largura, a Garnacho e Pedro Neto no 1x1/aceleração contra os laterais adversários. Além disso, este posicionamento permitia-lhes estar mais próximos para encurtar espaços e anular potenciais transições do Villa. Os extremos do Chelsea conseguiram receber várias vezes junto à linha lateral e, a partir daí, definir cruzamentos para a área ou servir o espaço à entrada da área. Por vezes, atraíam dois opositores, libertando os laterais para receberem livres numa zona mais recuada e colocarem bolas certeiras em zonas de finalização. Enquanto isso, Enzo Fernández ocupava um papel híbrido na meia-esquerda, variando entre o espaço entrelinhas e um posicionamento mais recuado, junto aos centrais, para receber de frente e distribuir. Palmer ameaçou na meia-direita, obrigando Tielemans a encaixar entre Maatsen e Lindelöf para controlar os movimentos de rutura do “10” do Chelsea e anular a inferioridade numérica na última linha (5x4).

No início da segunda parte, a história parecia idêntica, com o Chelsea a ter oportunidades para fechar o jogo em contra-ataque, mas à passagem do minuto 59, a tripla alteração promovida por Emery culminou no crescimento substancial do Villa. Jadon Sancho entrou para a direita; Onana aumentou a estampa física no meio-campo e permitiu a Tielemans subir e vaguear junto a Watkins. Rogers passou a ocupar o corredor esquerdo, realizando movimentos para dentro (golo do empate). A partir deste momento, os Villans passaram a recuperar mais alto e ganharam maior capacidade de saída sob pressão. Desde trás, procuraram saída pelo lado direito, tendo em conta que Garnacho/Gittens vigiavam Konsa, convidando Cash a receber em largura (Cucurella a aproximar para condicionar). Watkins foi a figura em destaque, criando dificuldades aos centrais adversários quer de costas para a baliza, quer em rutura. Marcou em jogo corrido e a partir de um canto – que ele próprio conquistou.

A formação de Birmingham leva agora 11 vitórias consecutivas e continua à procura de fazer história. Visita o Arsenal, no Emirates, antes de fechar 2025, podendo igualá-los na tabela classificativa.

As cartas estão lançadas. Tragam as pipocas.

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