A estrelinha e a gestão dão frutos no Dragão: FC Porto nos 'oitavos' da Liga Europa
O FC Porto entrava para a última jornada da
fase de liga da Liga Europa fora dos lugares de apuramento direto para os oitavos
de final, embora soubesse que um triunfo seria, muito provavelmente, suficiente
para garantir um lugar no top 8. Por outro lado, a visita a território
português assinalava a despedida do Rangers das competições europeias, na
presente temporada, uma vez que não lhes restava qualquer hipótese de atingir o
top 24.
Na primeira parte, o Rangers inseriu pouco
risco em construção baixa, acionando Chermiti através da bola longa. Meghoma e
Max Aarons apareciam por fora; Gassama e Findlay Curtis jogaram na
meia-esquerda e na meia-direita, respetivamente, sendo que o primeiro ameaçou,
em drible, como extremo (finaliza o 0-1) e o camisola 52 do Rangers aproximou-se
do meio-campo (terceiro médio). Em organização defensiva, a equipa orientada
por Danny Röhl assumiu o 5-4-1, com Diomande a vigiar Froholdt e Raskin
responsável pela zona de Rodrigo Mora.
O golo dos escoceses à passagem do minuto
6, após uma saída deficiente do FC Porto, fez tremer o Dragão. Tavernier
antecipou-se a Francisco Moura e Curtis definiu, com êxito, o cruzamento para a
zona do segundo poste, onde Alberto Costa aparecia atrasado. A solidez que o
bloco defensivo do Rangers demostrou nos minutos seguintes criou dificuldades
ao ataque posicional da formação de Farioli, que encontrou pouco espaço para
receções interiores.
A formação da casa encarou o encontro na
sua estrutura habitual (4-3-3), contando com Alan Varela como pivô defensivo, a
integrar a linha defensiva no momento sem bola. Francisco Moura e Alberto Costa
atraíam os extremos adversários com o seu posicionamento interior, oferecendo
espaço em largura a Pepê e William Gomes. Os laterais portistas também somaram
aparições exteriores, nomeadamente em movimentos de overlap.
As dificuldades evidenciadas pelo FC Porto
nos instantes iniciais do jogo acabariam por ser anuladas pelo primeiro momento
de desequilíbrio no corredor central. Raskin foi ao chão para retirar a bola
dos pés de Mora, mas o médio português, com um toque subtil, deixou o belga
pelo caminho e encontrou vários metros descobertos para galgar. Com a bola a
ressaltar aqui e ali, o lance prosseguiu pela direita com William Gomes e
acabou finalizado, à entrada da pequena área, pelo criativo dos azuis e
brancos.
O golo do empate acabaria por revelar-se o
ponto de viragem para uma vitória tranquila. Logo a seguir, houve pedidos de
penálti na área de Butland quando Pepê encontrou espaço pela esquerda para
acelerar, acabando desarmado na hora H por Emmanuel Fernandez. Minutos depois,
Bednarek colocou um passe preciso para a rutura de fora para dentro de
Francisco Moura, nas costas de Tavernier. O lateral esquerdo acabou por
beneficiar do choque entre o central-direito e o GR da equipa escocesa,
carimbando a reviravolta portista. Antes do intervalo, o FCP ganhou outro
conforto no marcador, desta vez a partir de um pontapé de canto
finalizado na própria baliza por Emmanuel Fernandez (duelo com Bednarek ao 1.º
poste).
Com o 3-1 no marcador, na segunda parte, a
formação portuguesa concedeu mais momentos de posse ao Rangers, que procurava
chegar pela esquerda onde aparecia, agora, Max Aarons para cruzar. Perante o
3-4-3 escocês, Kiwior acompanhava individualmente os movimentos de recuo de
Curtis para anular a inferioridade no meio-campo. Aos 58 minutos, Danny Röhl
arriscou e alterou o sistema, desfazendo a linha de 5 e passando para um 4-4-2,
com Djiga e Souttar como centrais, Curtis à esquerda, Antman à direita, e
Miovski na companhia a Chermiti. Moore e Aasgard entraram minutos mais tarde
para acrescentar critério com bola e Tavernier pisou mais vezes zonas
interiores. Apesar da intenção, apenas Raskin conseguiu incomodar Diogo Costa
(remate de fora de área); enquanto isso, o FCP tentou aproveitar a exposição do
Rangers para agitar em contra-ataque.
A vitória portista, conjugada com outros resultados favoráveis – entre eles a derrota do Ferencváros em Inglaterra e o empate da AS Roma em casa do Panathinaikos – catapultou o FC Porto para o 5.º lugar. Depois da noite histórica de Sporting CP e SL Benfica na Liga dos Campeões, as qualificações diretas de FC Porto e SC Braga para os oitavos de final da Liga Europa reforçam o saldo extremamente positivo da semana europeia portuguesa.
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