Duelo de lutas díspares resolvido através da bola parada
No jogo em
atraso a contar para a 16.ª jornada da Liga Betclic, o Moreirense entrou com intenções de assumir as rédeas do encontro, montado em 3-2-5 numa etapa mais
adiantada de construção. Maracás, Michel e o lateral esquerdo Álvaro Martínez posicionaram-se
numa primeira linha a construir, enquanto Assis e o lateral direito Travassos
ocupavam as costas dos avançados do CD Tondela. Bondoso e Teguia ofereceram a
largura à esquerda e à direita, respetivamente; Alanzinho e Rodri
desequilibraram nos half-spaces e Luís
Semedo foi a escolha inicial para atuar como referência ofensiva na zona
central. Com o PL particularmente ativo em apoio, a facilitar a troca de
passes, a formação orientada por Vasco Botelho da Costa procurava juntar vários
elementos para promover triangulações (Assis/Travassos + Alanzinho/Rodri +
extremos) e mostrou capacidade para atrair por dentro para desequilibrar por
fora. Para além da capacidade técnica a jogar por dentro, em espaços reduzidos,
Travassos ameaçou com incursões entre central e lateral adversários para
chegada a zona de cruzamento.
Do lado
auriverde, o bloco defensivo organizou-se em 4-3-3, com Hugo Félix, Jordy e
Maranhão atentos a Assis e Travassos (extremos, por vezes, podiam saltar à
frente nos centrais do MFC), Juanse, Cícero e Hodge a protegerem o espaço
central, onde apareciam Alanzinho e Rodri, e Maviram e Bebeto no controlo dos
dois extremos adversários. Com bola, Cícero procurou lateralizar para favorecer
a saída desde trás. A equipa de Cristiano Bacci tentou aproximar-se da baliza
de Caio solicitando Jordy (jogo mais vertical) e reuniu-se, a espaços, em
meio-campo ofensivo após a conquista de segundas bolas. Neste momento, Maviram
aparecia aberto à esquerda e Maranhão à direita; Hodge e Félix tinham maior
liberdade para atuar por dentro para ligar os ataques beirões.
Ao intervalo,
Vasco Botelho da Costa lançou Landerson na partida, para dar lugar a Teguia, e
trocou Kiko Bondoso para o lado direito do ataque dos Cónegos. Travassos
exibiu-se mais lateralizado comparativamente ao primeiro tempo e acabou o jogo
a extremo. O Moreirense seguia com mais bola e o golo acabou por surgir na
sequência de uma bola parada. Ao minuto 62, através da cobrança de um pontapé
de canto, Alanzinho encontrou a cabeça do central Maracás, que finalizou para o
fundo das redes, ganhando nas alturas ao médio inglês Hodge. A partir deste
momento, seguiram-se um conjunto de substituições, incluindo a de Makan Aïko,
que se estreou com o número 90 pelo CD Tondela (extremo a atuar da esquerda
para dentro). Os auriverdes somaram mais períodos de posse, mas a escassa
criatividade em ataque posicional resultou em cruzamentos pouco eficazes. Nesta
altura, o MFC organizou-se defensivamente em 4-4-2, com Alanzinho junto a Semedo/Yan Maranhão na primeira linha de pressão; Gilberto Batista e Marcelo
entraram para a defesa na reta final do encontro. Embora o aparente conforto,
Yan Maranhão ia deitando tudo a perder ao isolar Afonso Rodrigues, em pleno
período de compensação. O avançado tentou tirar Caio do caminho, mas não
conseguiu ludibriá-lo e acabou por desperdiçar aquele que seria o golo do
empate.
Contas feitas, o
Moreirense assume confortavelmente, ao fim de dezassete jornadas, o sexto posto
na tabela classificativa, em igualdade pontual com o SC Braga, ao passo que o
CD Tondela continua em “zona de aflitos”, com apenas doze pontos acumulados na
primeira volta do campeonato. Os beirões encontram-se a dois pontos da linha de
salvação.

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