Maré de azar parece não ter fim nas beiras: Penálti(s) trama(m) CD Tondela

 


Em plena tarde de Inverno, sob o olhar expectante dos seus adeptos, o CD Tondela recebeu o SC Braga no Estádio João Cardoso, a contar para a ronda 18 da Liga Betclic. Cristiano Bacci apresentou modificações na sua estrutura habitual, numa tentativa de contrariar o 3-4-3 da equipa minhota. No 5-3-2 apresentado, Medina, Christian Marques e Bebeto constituíram o trio de centrais, ao passo que Maviram e Rodrigo Conceição atuaram como alas, fechando as portas aos recetores exteriores do SCB. Cícero, Sithole e Hugo Félix formaram o meio-campo auriverde, cuja incumbência passava por limitar as ações de João Moutinho e Grillitsch, bem como evitar receções entrelinhas de Ricardo Horta e Pau Víctor. Makan Aïko e Maranhão foram as referências mais adiantadas para contra-ataque, enquanto que, a defender, ocuparam o espaço por fora de Sithole/Félix para pressionar Lagerbielke e Niakaté, os centrais exteriores da formação de Carlos Vicens.

O SC Braga entrou mais forte na partida e instalou-se, desde uma fase precoce, em ataque posicional. Os minhotos escolheram o corredor lateral direito como predileto para envolver os seus ataques, reunindo vários elementos do lado da bola. Esta mobilidade característica permitiu colecionar combinações curtas com Dorgeles por fora, Zalazar na meia-direita (liberdade para lateralizar; chegada para cruzamento), e Pau Víctor e Ricardo Horta em movimentos de aproximação. Lelo era o elemento mais distante, neste momento, surgindo como potencial ameaça em rutura nas costas de Rodrigo Conceição. O CD Tondela propôs-se a defender de forma compacta para sair em transição ofensiva, mas exibiu dificuldades em criar perigo no segundo momento, com os centrais do SCB a ganharem sistematicamente duelos pelo ar contra uma frente de ataque mais móvel. Sithole recebeu algumas vezes como homem livre perante a pressão alta do SCB (3x2 no meio-campo), mas a vantagem momentânea não foi devidamente aproveitada. Apesar do domínio territorial dos bracarenses, as situações de frisson, a partir de ataque continuado, foram escassas. A principal ocasião de golo só apareceu perto do intervalo, no seguimento de um pontapé de canto finalizado por João Moutinho, ao primeiro poste, que esbarrou na barra da baliza defendida por Bernardo Fontes.

Na segunda parte, os beirões cresceram no encontro e ganharam maior poder de fogo com bola. Para além da maior capacidade para acelerar em contra-ataque, somaram períodos de circulação em meio-campo ofensivo, um dos quais deu origem ao penálti e à expulsão conquistados por Hugo Félix, à passagem do minuto 82 (Sithole na variação, Maviram em largura, Félix a receber no espaço gerado entre Víctor Gómez e Lagerbielke). As bancadas vibravam em êxtase, estado esse interrompido quando Horníček travou o remate do camisola 79 do CDT, impedindo a equipa de Bacci de saltar para a frente do marcador. E, como quem não marca sofre, poucos minutos depois um banho de água gelada caiu sobre a equipa da casa: num lance de envolvimento pelo corredor lateral esquerdo do SCB, Gabri Martínez rompeu entre Conceição e Bebeto e acabou derrubado, dentro de área, pelo capitão auriverde – numa jogada que parecia controlada. Penálti para o SC Braga e, desta vez, Zalazar não escorregou, deixando para trás os fantasmas ainda recentes, decorrentes da não conversão para a Taça da Liga.

Num período em que o CD Tondela corria contra o tempo para chegar ao empate, foi Aïko que manteve as esperanças vivas no João Cardoso. O avançado francês ergueu os braços para galvanizar as bancadas desacreditadas e arrancou aplausos rasgados após apontamentos técnicos consecutivos, a partir do corredor esquerdo. Apesar do perigo iminente, os esforços não foram suficientes para resgatar um ponto – cada vez mais valioso na luta pela manutenção.

Depois da derrota na final da Taça da Liga e da eliminação catastrófica para a Taça de Portugal frente ao Fafe, a equipa de Vicens arranca uma vitória a ferros para o campeonato e mantém a perseguição ao Gil Vicente. Já o CD Tondela vê a sua margem de erro reduzir-se cada vez mais, ficando a cinco pontos do Arouca, a primeira equipa acima da linha de água.

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