Novo ano, primeiro deslize: Sporting CP arrisca ficar mais longe do tricampeonato
O arranque de
2026 não prometia facilidades para o Sporting CP, obrigado a deslocar-se ao
terreno da equipa sensação da Primeira Liga, o Gil Vicente, em busca de três
pontos que impedissem um novo distanciamento do FC Porto na liderança. Do outro
lado, os gilistas procuravam surpreender, perante os seus adeptos, num estádio onde
apenas tinham sido derrotados, esta temporada, por FC Porto e CD Tondela.
Na primeira
parte, o Sporting CP procurou instalar-se em ataque posicional, mas faltou
criatividade para lesar a baliza defendida por Andrew. O Gil sentiu conforto em
organização defensiva (4-4-2), com Santi García e Varela, na primeira linha de
pressão, e Cáseres e Luís Esteves, logo atrás, a taparem potenciais linhas de
passe no corredor central, onde o Sporting CP reuniu vários elementos. Rui
Borges juntou Inácio, Quaresma e Fresneda para uma construção a três, enquanto
Matheus Reis, à esquerda, e Trincão, à direita, preencheram o espaço em largura.
Maxi Araújo voltou a ocupar uma posição mais central, junto a Ioannidis e
Suárez, mas a sua presença acabou por ser anulada e os movimentos habituais, em
rutura, por dentro, acabaram por não surtir qualquer efeito. João Simões alternou
entre movimentos laterais, por fora de Inácio, para apoiar a construção, e
movimentos verticais sobre a linha defensiva adversária. Ocasionalmente,
Fresneda arriscou em deslocações mais profundas, dando origem, inclusive, a uma
das poucas oportunidades leoninas na primeira parte, com Ioannidis a ameaçar de
cabeça. O 0-1, desenhado por Quaresma e Suárez, em cima do apito para o
intervalo, parecia encaminhar os leões para uma segunda parte de maior
tranquilidade e controlo territorial.
No entanto, o que parecia ser o prenúncio de um domínio mais sereno acabou por não se confirmar. O segundo tempo trouxe um jogo mais aberto, com oportunidades de perigo a surgirem de parte a parte. Rui Borges empurrou Trincão para a sua zona predileta – entrelinhas –, onde conseguiu receber, rodar e definir com espaço. Ioannidis, em compensação, passou a aparecer mais vezes por fora. Apesar do aparente crescimento leonino, a formação orientada por César Peixoto conseguiu incomodar, intercetando ataques leoninos e ameaçando em transição ofensiva. O Gil aproximou-se, paulatinamente, da baliza de Rui Silva, e colecionou bolas paradas; acionou os extremos e envolveu Luís Esteves, pelo lado direito do ataque, causando momentos de inquietação ao segundo poste (Fresneda em dificuldades). Depois de várias investidas – e beneficiando da expulsão de Inácio – o empate acabaria por surgir precisamente a partir de um cruzamento do camisola 10 dos gilistas para o segundo poste, onde Alisson e Hjulmand (pós-canto ofensivo) não conseguiram travar a finalização de Carlos Eduardo.
A equipa de Rui
Borges pode terminar a jornada a sete pontos do atual líder, o FC Porto,
complicando ainda mais a corrida ao tricampeonato. Fragilizado pelas múltiplas
ausências – entre lesões e convocados para a CAN –, o Sporting CP vê juntar-se
ao lote de indisponíveis Maxi Araújo e Hjulmand para o duelo com o Casa Pia,
para o campeonato, além de Inácio que falhará a meia-final da Taça da Liga
frente ao Vitória SC. O Gil Vicente fecha a primeira volta com um registo
notável de 28 pontos, sabendo, porém, que deixará de contar, a partir de agora,
com o seu máximo goleador, Pablo, que parte diretamente para a Premier League.

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