Atropelo na capital espanhola: A noite do ataque ao espaço

 


Na primeira mão das meias-finais da Copa del Rey, o Atl. Madrid apresentou-se em 4-4-2, com apenas dois médios no “miolo”, Koke e Llorente, responsáveis por controlar o quadrado do FC Barcelona no meio-campo, composto por Frenkie, Casadó, Fermín López e Dani Olmo (variação entre movimentos interiores e exteriores). Apesar da inferioridade numérica, a equipa de Diego Simeone raramente sentiu dificuldades para proteger a zona nevrálgica do terreno, contando com os dois avançados para fechar as linhas de passe dos centrais para os médios mais recuados do FCB, Frenkie e Casadó; os extremos do lado contrário fechavam por dentro e Pubill/Hancko encurtavam, quando necessário, potenciais receções entrelinhas de Dani Olmo na meia-esquerda e Fermín López na meia-direita.

Desde uma fase precoce da partida, o Atl. Madrid foi incomodando Joan García, forçando erros em zonas altas e aguentando em bloco médio-baixo para sair em contra-ataque (ferozes no ataque à profundidade). Na primeira parte do encontro, os homens mais adiantados do ATM assombraram a defesa culé, criando inúmeras oportunidades de golo através da aceleração dos extremos (Simeone/Lookman) e a definição e execução, em zonas de finalização, de Griezmann e Julián Álvarez. Baldé foi o elemento mais castigado, limitando‑se a ver Griezmann e Simeone combinarem e ganharem sucessivamente as suas costas, como quem assiste ao jogo sem precisar de bilhete.

O FC Barcelona instalou-se, em ataque posicional, recorrendo a uma construção a três, com Koundé junto a Cubarsí/Eric García na primeira linha, e Lamine Yamal em largura, à direita. Do lado esquerdo, Baldé aparecia colado à linha lateral para oferecer o espaço interior a Dani Olmo. Não obstante o tempo despendido em posse no meio-campo ofensivo, os blaugrana foram incapazes de a converter em perigo real para a baliza de Musso. O melhor que o FC Barcelona conseguiu fazer até aos 37 minutos de jogo foi beijar o ferro da baliza contrária no seguimento de um pontapé de canto, cobrado à passagem do minuto 20. Perante a avalanche dos colchoneros, Hansi Flick viu-se obrigado a mexer ainda antes do intervalo, atirando Lewandowski para a frente de ataque, com Ferrán (desaparecido até então) a abrir na esquerda e Dani Olmo a fixar-se declaradamente como médio. Frenkie ficou sozinho no vértice mais recuado do meio-campo. Por esta altura, a formação do FC Barcelona demonstrou um ligeiro crescimento com bola, criando dois desequilíbrios em poucos minutos na grande área adversária (Ferrán e Fermín em rutura).

Na segunda parte, o Atleti protegeu-se em organização defensiva, assumindo o 5-4-1 que já havia ensaiado nos instantes finais da primeira parte. Simeone encaixou por fora de Molina e Griezmann compensou com o posicionamento na linha intermédia. O Barça regressou dos balneários com um aspeto mais ameaçador, criando de imediato uma boa ocasião de golo, com Fermín a surgir em zona de remate após rutura de Ferrán Torres sobre a meia-esquerda. Logo depois, a equipa catalã foi acumulando alguns lances de bola parada, um dos quais a originar o golo milimetricamente anulado a Cubarsí. A equipa de Hansi Flick tentou crescer com o passar dos minutos, encontrando Frenkie sem pressão (Olmo também a pedir mais atrás), procurando Lamine em largura, e promovendo ultrapassagens por dentro de Koundé/Fermín. A entrada de João Cancelo parecia promissora, filtrando passes por dentro a partir da esquerda, mas acabou por se esfumar perante a exibição cinzenta dos blaugrana (ilustrada pela expulsão de Eric García). O Atl. Madrid ativou o modo gestão, induzindo menos vertigem no ataque, embora sem grandes períodos de aperto no plano defensivo. Sørloth entrou para segurar bolas de costas e Thiago Almada devolveu o critério técnico que a equipa havia perdido com as saídas de Griezmann e Álvarez. O central Le Normand entrou na reta final para consolidar o setor defensivo, soltando Molina para aproximações à área de Joan García.

Perante a derrota mais avassaladora do FC Barcelona na era de Hansi Flick, os detentores do título terão agora de engendrar um milagre para reverter a eliminatória, em Camp Nou, e ainda aspirar a uma final, que será disputada contra Ath. Bilbao ou Real Sociedad.

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