No meio do caos, chegou a bonança: Tottenham salva um ponto importante em Anfield
Em torno de uma fase extremamente negativa,
marcada por seis derrotas consecutivas e uma panóplia extensa de lesões no
plantel, o Tottenham via-se obrigado a dar uma resposta imediata em Anfield
para não perder terreno para os rivais diretos - que haviam empatado na presente jornada - na luta pela manutenção.
Os Spurs alinharam em 4-4-2, com a linha
defensiva composta por Porro à direita e Spence à esquerda, sendo que à sua
frente, a extremos, atuaram Souza e Mathys Tel, respetivamente. Richarlison e
Solanke constituíram a frente de ataque londrina. A estratégia de Igor Tudor
para esta partida assentou numa simplicidade de processos que passou
rapidamente de aliada a vilã. O bloco compacto em organização defensiva e o
jogo direto com bola pareceram trazer alguns benefícios nos instantes iniciais
do encontro, traduzindo-se em ameaças reais à baliza de Alisson. Ofensivamente,
Mathys Tel insistia a partir do corredor lateral esquerdo (Spence a compensar
por dentro ou por fora; Szoboszlai exímio no controlo do francês) e os
avançados foram constantemente solicitados em duelos pelo ar; defensivamente,
Archie Gray e Sarr encurtavam, para disputar as segundas bolas e neutralizar a
inferioridade numérica no meio-campo. No entanto, o ímpeto ofensivo dos
visitantes esfumou-se a partir do momento em que Szoboszlai converteu o livre
direto que colocou o Liverpool na frente do marcador, deixando a equipa sem capacidade
de saída para o ataque e subjugada aos ataques encarnados.
Do lado do Liverpool, os laterais Robertson
e Szoboszlai construíam mais próximos dos centrais, com o intuito de atrair a
marcação dos extremos adversários e oferecer espaço nos flancos para as
investidas individuais (1x1) de Ngumoha e Frimpong. Os reds também colecionaram momentos de construção a três, quando
Szoboszlai ocupava declaradamente o meio-campo ou quando Robertson se lançava
em movimentos de underlap. A formação
de Arne Slot atraía por dentro para deixar os extremos, por fora, em vantagem
(Wirtz a combinar e a variar fora), empurrava os Spurs para trás e encontrava
em Gravenberch o seu pilar defensivo no meio-campo (ocupação de espaços;
coberturas). Ngumoha foi o elemento em destaque, desequilibrando através do
drible e tornando a tarde de Porro particularmente difícil. Sem bola, o LFC
organizou-se em 4-4-2, encaixando diretamente na estrutura ofensiva dos
londrinos.
Na segunda parte, Tudor lançou Xavi Simons,
cuja liberdade de movimentos lhe permitia aproximar-se da bola, ligar lances de
ataque e assumir o remate. Slot respondeu com uma tripla substituição; Ekitiké
passou a ser a referência central e Gakpo ganhou maior protagonismo a partir da
esquerda, para receber e acelerar em condução; Salah entrou para o lugar de
Frimpong, que raramente conseguiu levar a melhor no duelo com Spence. Com estas
alterações, o Liverpool perdeu critério e pausa, tornando-se mais ameaçador em
momentos de recuperação e contra-ataque (vertigem na frente). A partida entrou numa
fase caótica, com sucessivas transições e pouca capacidade de definição de
parte a parte, situação que, em última instância, acabou por beneficiar os
Spurs. Em cima do minuto 90, Richarlison, que havia somado algumas ocasiões de
finalização ao longo da partida, acabaria por resgatar um ponto ao aproveitar
um momento de desatenção e descompensação da linha defensiva do Liverpool
(abordagem de Robertson; avanço de Szoboszlai).
Este empate em Anfield coloca um ponto
final na longa série sem pontuar do Tottenham e oferece um balão de oxigénio
temporário a Tudor, embora a equipa permaneça perigosamente colada à zona de
despromoção. Na próxima jornada, os Spurs defrontam o Nottingham Forest, que
segue logo atrás na tabela classificativa, com apenas um ponto a menos. Já o
Liverpool perde a oportunidade de igualar o Aston Villa e abrir distâncias para
o Chelsea - que ontem tropeçou frente ao Newcastle.
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