La Roja avança para a final do Mundial: A identidade que não se pode desmantelar

 


A primeira meia-final do Campeonato do Mundo 2026, intitulada por muitos como uma “final antecipada”, colocou frente a frente o atual campeão europeu e o vice-campeão mundial, duas das seleções com o futebol mais apelativo em prova.

Se por um lado a França contava com um leque extenso de estrelas, capazes de se encontrarem ou resolverem individualmente a partir do seu repertório técnico, a Espanha criava expectativas graças à sua manobra ofensiva que parecia (e parece!) cada vez mais oleada – mesmo com uma presença menos radiante de Lamine Yamal.

Neste duelo, a Espanha acabou por ser “dona do jogo” do início ao fim, com Rodri, uma vez mais, a entregar uma exibição de gala, propiciando saídas limpas desde trás, criando vantagens junto aos centrais espanhóis (superioridade numérica na primeira linha em construção média-alta) e coordenando as coberturas defensivas no lado direito espanhol. A La Roja priorizou consistentemente a aproximação entre elementos para combinações, nomeadamente à esquerda com Baena a alargar para atrair Koundé e facilitar as incursões de Cucurella no half-space. Do lado contrário, continuou a potenciar-se a sinergia Porro-Yamal; no corredor central, Olmo e Oyarzabal tentaram criar distúrbios nas costas dos médios adversários e Fabián Ruiz ocupou diferentes alturas, na meia-esquerda, com Rodri na base. Esta proximidade relatada justifica também os onze segundos necessários para a equipa de Luis de la Fuente retomar a bola em sua posse (dados do final do encontro). No momento defensivo, agruparam-se em 4-4-2, garantindo ao longo dos 90 minutos uma coesão defensiva louvável, altamente competente para anular nomes como Mbappé, Barcola, Dembélé, Olise e Doué.

Do outro lado, a França organizou-se em 4-4-2, quando se encontrava em bloco médio-baixo, com Olise e Mbappé à frente de Rabiot e Tchouaméni, sendo que Dembélé, à direita, tinha liberdade para saltar ao central do seu lado após passe atrasado, abrindo espaços para Cucurella avançar. No pontapé de baliza espanhol, Dembélé unia-se a Mbappé na pressão aos centrais, Koundé adiantava-se para compensar e encostar em Cucurella e os médios encaixavam par a par (Olise com Rodri, Tchouaméni a vigiar Fabián Ruiz, Rabiot na zona de Olmo/Oyarzabal). Assim sendo, como vinha sendo apanágio, Didier Deschamps confiava na imponência dos seus centrais para assumirem o 1x1 na última linha. Com bola, o plano desenhado para esta partida parecia depender da verticalidade dos seus intervenientes, propiciando recuperações seguidas de acelerações estonteantes (lançar rapidamente o primeiro passe). Os bleus sentiram-se efetivamente mais confortáveis quando existiam espaços dentro do bloco defensivo espanhol, nomeadamente no seu pontapé de baliza. Nesta etapa, na primeira parte, foram conseguindo filtrar passes verticais (Maignan fulcral com os pés) devido à superioridade que conseguiam criar na zona intermédia – no meio das marcações individuais, Rodri ficava sistematicamente em inferioridade numérica vs. Rabiot e Olise, obrigando o médio do Manchester City a deixar alguém livre. Assim, a França conseguia posicionar-se de forma que os centrais espanhóis estivessem demasiado distantes para encurtar, criando dúvidas no espaço entrelinhas. Para resolver esta situação, Baena passou a dividir espaço a partir de uma posição mais central (incumbência de fechar Olise), de modo a criar o 3x3.

Se a primeira parte tinha sido desoladora, agravada pelos contratempos que enfrentou (penálti anedótico/lesão de Saliba), o segundo tempo virou um autêntico pesadelo para a seleção francesa. Descaracterizada e sem qualquer critério em posse, fez-se valer de algumas tentativas individuais. Sem bola, ofereceram o protagonismo a Dani Olmo no espaço entrelinhas (Koné e Tchouaméni atraídos por Rodri e Fabián; muitos distanciamentos) e Lacroix viu-se tentado a perseguir Oyarzabal, o que possibilitou a entrada de Porro no 2-0 e o passe milimétrico de Cubarsí no golo anulado a Yamal instantes depois. As substituições promovidas por Deschamps (criatividade de Cherki, avanços de Theo) foram inconsequentes.

Na Espanha, de la Fuente deixou cair Pedri do onze inicial pelo segundo jogo consecutivo; não obstante a sua fase menos positiva, a capacidade singular para esconder a bola rotula-o como indispensável para o tipo de jogo que a La Roja precisava de imprimir na reta final da partida. Além disso, este jogo corroborou a confiança depositada pelo selecionador espanhol em Baena para o lado esquerdo do ataque, em detrimento de Nico Williams (maior fragilidade defensiva, apesar da objetividade com bola).

Quem se segue? Argentina ou Inglaterra?

Comentários