Manchester City e a ressaca de Guardiola: Arsenal conquista a Supertaça Inglesa
No jogo de arranque da temporada 2026/2027
em Inglaterra, o Arsenal conquistou a 'Community Shield' diante do Manchester
City, naquele que foi o primeiro jogo dos 'citizens' após a saída de Pep
Guardiola.
O encontro não podia ter começado de pior
forma para a equipa de Enzo Maresca, que se viu em desvantagem quando o
cronómetro marcava apenas 24 segundos. Defensivamente, percebeu-se de imediato
as intenções do Manchester City, que colocava os extremos a saltar aos centrais dos 'gunners'.
No pontapé de saída, Semenyo procurou pressionar Gabriel, mas o central filtrou
um passe preciso por dentro e, com um apoio curto, Ødegaard encontrou Calafiori
nas costas do ganês com espaço para progredir (dinâmica do 3.º homem). A bola
foi à direita, mas foi em corredor central que Lewis-Skelly engendrou um passe
magistral para a entrada de Calafiori entre central e lateral.
Face às circunstâncias, os citizens
procuraram ir atrás do resultado, mas o Arsenal sentiu-se globalmente
confortável no seu 4-4-2 defensivo. Em ataque posicional, a formação de
Manchester colocou três elementos na primeira linha, com o lateral direito
Khusanov a juntar-se a Rúben Dias e Gvardiol; Kovačić contava como quarto
homem, quando baixava para fora do bloco para distribuir de frente. Enquanto
isso, O'Reilly, à esquerda, surgia como um elemento extra para sobrecarregar zonas
interiores, onde também apareciam Foden e Anderson. Doku e Semenyo eram
solicitados para desequilíbrios individuais, mas o ataque do Manchester City
exibiu-se pouco oleado, contabilizando-se inúmeros passes errados, decisões
imprecisas e momentos de descoordenação. Haaland interveio poucas vezes e
apenas algumas receções de Foden, entrelinhas, fizeram estremecer o bloco do
Arsenal.
Em fase ofensiva, em zonas mais altas do
terreno, Arteta pedia a Calafiori avanços pela meia-esquerda (condução/ligação/aparição
em zonas de finalização), com Tzolis largo. À semelhança do Manchester City, Ben
White ficava mais recuado perto dos centrais; Madueke esperava junto à linha
lateral para assumir o 1x1 frente a O'Reilly, enquanto Ødegaard procurava
aproximações à meia-direita para definir passes para dentro de área (cruzamento
teleguiado no 2-0). Quando atraiam o adversário, conseguiam descobrir Lewis-Skelly
nas costas dos avançados, bem como o espaço frágil nas costas de Doku e Semenyo
(Calafiori, Ødegaard, Ben White). Apesar da eficácia nesta etapa do jogo, foi a
partir de saídas apoiadas desde trás que o Arsenal entregou entretenimento,
ludibriando a pressão desfasada dos ‘sky blues’ através de meinhos sucessivos.
Aproveitando a superioridade numérica e a mobilidade dos intérpretes na
primeira fase de construção (Raya com participação importante para atrair e
soltar), os 'gunners' jogavam de pé para pé, encontrando frequentemente o homem
livre. Tzolis mostrou-se consistentemente como desbloqueador, emergindo em
corredor central para receber, acelerar e acionar Madueke/Saka. Os londrinos também conseguiam variar e explorar distribuições mais longas.
Maresca tentou Grealish ao intervalo oferecendo um maior foco de combinação à esquerda do ataque, mas o triângulo com Guéhi e Gvardiol surtiu pouco efeito. O Manchester City apresentou alguma previsibilidade na forma como atacou a baliza contrária, procurando poucas vezes a profundidade – quando o fez com critério, na primeira parte, Doku ganhou a White na velocidade –, e ameaçando com pouca frequência em contra-ataque.
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