'Receita que ganha não mexe': Campeão imprime a primeira vitória no Dragão
Na primeira jornada da Liga Portugal 26/27,
o FC Porto recebeu o FC Alverca no Dragão, apresentando-se com uma configuração
muito próxima à época transata. No seu 4-3-3 usual, a formação de Farioli
procurou tirar partido dos triângulos formados em corredor lateral (Martim
Fernandes-Froholdt-William à direita; Zaidu-Pepê-Gabri à esquerda; André Silva
também envolvido), promovendo as entradas nos half-spaces, nomeadamente por parte dos seus médios-interiores. Do
ponto de vista posicional, mantém-se a ocupação da largura por parte dos
extremos, com os laterais a começarem ligeiramente por dentro para facilitar a
criação de espaço por fora. Defensivamente, os azuis e brancos continuam a
priorizar o HxH em pressão alta, agrupando o seu bloco defensivo em 5-4-1 (Alan
Varela descaído à direita na linha defensiva).
O FC Porto até começou por cima, assumindo-se
em ataque posicional e colecionando rápidas recuperações de bola após perda,
mas o Alverca ganhou protagonismo após o golo portista. A equipa orientada por
Sérgio Ferreira variava a estrutura defensiva consoante a altura no terreno de
jogo, exibindo-se em 4-1-3-2 no momento do pontapé de baliza adversário – Figueiredo
juntava-se a Semedo na primeira linha de pressão; Davy Gui posicionava-se na
mesma linha dos avançados interiores, dividindo espaço entre Froholdt e Alan
Varela; Ian Luccas vigiava Gabri Veiga mais atrás. Em bloco médio-alto, assumia
o 4-4-2; já em bloco médio-baixo, fechava espaços em 5-4-1, com Isaac James a
defender por fora de Meupiyou. Esta disposição híbrida permitia que o FC Porto
tivesse, em alguns momentos, uma ligeira vantagem neste corredor dada a
liberdade de Martim Fernandes para progredir e executar (Figueiredo atento a
Bednarek; James preso por William Gomes).
O crescimento do Alverca foi sustentado
pelas dinâmicas ofensivas criadas dentro do seu 3-4-3, encontrando em Chiquinho
e Figueiredo as duas fontes primárias de desequilíbrio. O primeiro demonstrou
facilidade para receber, rodar e acelerar, enquanto o segundo trabalhava como elemento
vagabundo, aparecendo tanto em largura, como na meia-esquerda ou em corredor
central. A equipa ribatejana somou períodos de qualidade em posse, explorando
as costas dos extremos do FC Porto e ludibriando a primeira linha de pressão
portista (ligação central-avançado interior-ala). A referência mais adiantada, Vivaldo
Semedo, também foi solicitada através de passes mais diretos. Os dragões, nesta
fase, passaram a ameaçar predominantemente a partir de contra-ataque (Pepê,
William Gomes, Froholdt).
Apesar da desvantagem por dois golos ao intervalo,
o Alverca manteve-se fiel ao plano traçado para o encontro e deu continuidade à
boa exibição até então, com uma entrada forte na segunda parte (saída pelo
corredor central com remate de Davy Gui; canto logo de seguida com Ian Luccas à
boca da baliza). No pontapé de baliza adversário, colocaram risco, adotando declaradamente
o HxH, com Baseya responsável por saltar da linha defensiva para fechar Gabri
Veiga/Mora.
No FC Porto, a entrada de Pablo Rosario
permitiu encontrar melhores condições de desequilíbrio, devido às receções mais
frequentes dentro do bloco defensivo visitante comparativamente a Alan Varela.
Chiquinho, quando passou para a esquerda, encontrou também mais dificuldades
para fazer a diferença devido ao poderio físico do médio portista. Bednarek
voltou a reforçar a imponência nos duelos individuais com o PL adversário.
Sem grande brilhantismo, o FC Porto acaba
por arrecadar os primeiros três pontos no campeonato, abrindo uma vantagem de
dois pontos para Benfica, Sporting e Braga. Na próxima jornada, a equipa de
Farioli desloca-se a Vila do Conde. O Alverca recebe o Estrela da Amadora.
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