Como x Roma: O modus operandi perante o HxH, a variabilidade entre o jogo apoiado e longo, e a adaptação dos 'giallorossi’ sem Malen

 


Na sexta jornada da Série A italiana, o Como 1907 de Cesc Fàbregas recebeu, no Stadio Giuseppe Sinigaglia, a Roma de Gasperini. À entrada para a jornada, os visitantes partilhavam a liderança do campeonato com a Inter e a Lazio, enquanto Malen, de pontaria afinada, se assumia como máximo goleador da prova (6 golos em 6 jogos). Não obstante, as ausências de Svilar e Cristante, por lesão, obrigavam a mexer no onze. Pellegrini, que não jogava desde abril, acabou por somar os primeiros minutos da época. Moise Kean foi baixa importante do lado dos ‘lariani’.

No Como, Kaiki garantia a largura do ataque à esquerda, enquanto Caqueret se envolvia por dentro como quarto médio. Este posicionamento, ajustado às suas características, permitia-lhe promover combinações com Perrone, Lucas da Cunha e Nico Paz, sobrecarregar o corredor central e arrastar Mancini (opositor direto) para zonas teoricamente desconfortáveis. O Como tentou desestruturar a teia defensiva da Roma através de combinações ou ações individuais, tirando partido dos espaçamentos gerados pelos encaixes individuais do adversário. Defensivamente, a formação de Fàbregas reunia-se em 4-1-4-1, numa defesa zonal. Considerando a superioridade numérica em corredor central, Perrone (sem referência direta) funcionava como pêndulo defensivo para coberturas defensivas, enquanto Nico Paz e Lucas da Cunha controlavam as movimentações de Marten de Roon e Koné.


Como desbloqueia pressão através de ligação com o seu PL


Como desbloqueia pressão através de dinâmica de 3.º H



Como desbloqueia pressão através de ação individual do seu LE



Como desbloqueia pressão através de ação individual do seu LD

A Roma, como referido anteriormente, faz jus à imagem de marca de Gasperini, pressionando HxH e fazendo-se valer da superioridade nos duelos defensivos. Neste quesito, destacaram-se Ndicka e Wesley, que foram chamados a defender os homens mais requisitados pelo Como para a bola longa – Douvikas e Diao, respetivamente. Os centrais exteriores, Mancini e Hermoso, tiveram a tarefa hercúlea de acompanhar dois dos elementos mais móveis do adversário, como é o caso de Caqueret e Nico Paz, obrigando a deslocamentos longos. Dybala juntava-se a Malen para pressionar os centrais do Como, Chalobah e Ramón, enquanto Molina subia degraus para encostar no lateral-esquerdo da equipa da casa, Kaiki. Com bola, os ‘giallorossi’ ameaçaram através da procura direta de Malen. Assim que recupera a bola, a Roma prepara imediatamente o lançamento longo para a corrida do ponta de lança e de Wesley, podendo solicitar ainda a decisão de Dybala. Apesar de também testarem o triângulo à direita com Mancini, Dybala e Molina (o recuo de Marten de Roon libertava o central-direito), foi a partir da asa esquerda que surgiram os principais desequilíbrios em jogo apoiado.


Chegada da Roma através de passe longo para o seu ala-direito



Chegada da Roma através de passe longo para o seu PL



Chegada da Roma através de combinações à esquerda do ataque


Após a expulsão de Malen, o Como assumiu as rédeas do encontro e a Roma demonstrou maiores dificuldades para transitar. A colocação de Dybala como referência para o jogo longo não jogou a favor dos comandados de Gasperini. Diao encontrou mais espaço para enfrentar Wesley em momentos de 1x1 (de frente, para imprimir velocidade); Caqueret deu lugar a Jesús Rodríguez, imprimindo uma troca de perfil no flanco esquerdo (extremo puro, duelos individuais com Molina). O Como criou algumas oportunidades de golo, mas com o avançar do cronómetro abusou da circulação em U, não conseguindo criar impacto suficiente ao ponto de desmoronar o muro defensivo dos visitantes. A Roma aguentou numa espécie de 5-3-1, com algumas perseguições individuais, e Soulé preocupado em ajudar Wesley contra o irreverente Diao. Fàbregas ainda tentou o tudo por tudo aos 88 minutos, com a inclusão do central Ramón na área, a par de Douvikas (alteração estrutural para 3-5-2), para criar distúrbios em cruzamentos para a área, mas o nulo acabou por persistir - o primeiro na Série A 26/27 após 54 jogos.


Oportunidade de golo para o Como após a expulsão de Malen



Alteração para 3-5-2 com a subida de Rámon 



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