Real Madrid vence em Camp Nou: Plano engendrado por Mourinho quebra registo perfeito do Barça na La Liga
Domingo foi dia de ‘El Clásico’ na La Liga.
O FC Barcelona entrava para a 10.ª jornada com seis pontos de vantagem sobre o
rival de Madrid, orientado por José Mourinho – que regressava a Camp Nou 13
anos depois.
O FC Barcelona, igual a si mesmo, almejava
materializar a sua supremacia em posse em situações vantajosas para visar a
baliza de Lunin – guarda-redes ucraniano que acabou por assumir a titularidade
perante a ausência de última hora de Courtois. A formação de Hansi Flick partiu
do seu habitual 4-3-3, com Pedri a acompanhar Rodri na base (organização,
definição dos primeiros passes) e Fermín a pisar com maior regularidade o
espaço entrelinhas. Raphinha também realizava movimentos da frente para trás,
com o intuito de fugir ao raio de ação dos centrais madridistas e
desestabilizar o meio-campo dos merengues. À esquerda, Gordon alternava a sua
presença entre o espaço interior e exterior, e o lateral do seu lado (Cancelo
primeiro, Baldé depois) compensava para garantir racionalidade na ocupação das
zonas ofensivas. Na asa direita, as expectativas recaíam em Lamine Yamal, que teria
pela frente um duelo exigente com o seu compatriota Cucurella.
Em sentido contrário, o Real Madrid entrou
talhado para ameaçar em momentos de contra-ataque e ataque rápido. Assim sendo,
a decisão de esperar em bloco médio era coerente com a intenção de explorar o
espaço deixado pela equipa da Catalunha nas costas da sua linha defensiva. O
conforto da equipa visitante no seu 4-4-2/4-5-1 (posicionamento de Bellingham
condicionado pela altura de Rodri) foi por demais evidente, e apesar dos culé
terem somado as suas ocasiões de golo, a capacidade usual do Barça de
transformar a sua troca de passes curtos em situações ideais de desequilíbrio
foi consistentemente anulada. A organização defensiva da equipa de Mourinho foi
implacável, garantindo proximidade entre elementos, e arriscando uma pressão
mais alta nos momentos oportunos. Os centrais do Barça tinham, de forma
deliberada, liberdade total para executar (2x1 contra Mbappé); Bernardo Silva
vigiava a zona de Pedri, enquanto Tchouaméni controlava as ações de Fermín; Huijsen
e Konaté deram resposta positiva na proteção da área e na vigilância à
mobilidade de Raphinha. Cucurella superiorizou-se a Lamine nos duelos
individuais, com a ajuda dos médios mais próximos, bem como de Diomande. O
extremo costa-marfinense também se destacou pelo discernimento com bola, –
capacidade de atrair, tirar adversários do caminho através da destreza técnica
e descobrir o lado contrário – equilibrando os momentos de aceleração e de
pausa. Do ponto de vista ofensivo, o Real procurou ainda saídas pela direita
para promover variações longas direcionadas para a esquerda, onde Cucurella
tinha autorização para subir, aproveitando o posicionamento alto de Lamine. Bellingham,
Bernardo e, mais tarde, Camavinga foram importantes no ataque ao espaço a
partir de uma segunda linha, tópico esmiuçado excecionalmente por Mourinho na
conferência de imprensa pós-jogo.
“É
difícil para qualquer avançado atacar a profundidade contra o Barcelona; a
única solução é fazê-lo através dos médios. Quando os avançados o fazem, a
defesa do Barça está preparada e treinada para essa situação, e os avançados
acabam por ficar em fora de jogo, ou o passe acaba por ser intercetado pelo
Joan García. A solução é recorrer a médios como o Camavinga e o Bellingham para
ultrapassar essa linha, e resultou.” – José Mourinho.
O Barça defende-se com bola, tende a criar desconforto no adversário assim que a perde, mas sofre quando não recupera imediatamente o esférico (fragilidade na proteção da zona central e no controlo da profundidade). Em última análise, os seus médios tocaram muitas vezes na bola, mas em zonas inconsequentes, fruto do mérito do plano merengue.
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